Tempo a mais nesta pausa de blog, mas cá estou eu chegada de férias e pronta para mais pedacinhos da minha prole.
Estivemos de férias nas duas últimas semanas. A primeira por casa e na segunda rumamos ao sul de Espanha. Foi bom. Muito bom mesmo. E trouxemos uma pele bronzeada. Quer dizer, pai e filhos a fugir para o preto, mãe mais clarinha, bastante mais, mas dá para ver que abandonou, ainda que por pouco tempo, a palidez que carrega durante todo o ano.
Como já aqui referenciei, num post anterior, as férias com miúdos são cansativas mas muito boas. Eles felizes e nós também. Mas há sempre um mas e no nosso caso há muitos mas e um deles é o horror das nossas viagens. Seja de avião, de carro, ou até a pé só há sossego quando os dois adormecem! até aí é o caos total. Acreditem que nestes textos não encontrarão hipérbole alguma.
Senão vejamos:
Em 2005 decidimos ir para uma localidade de Espanha, longe como o raio, porque o meu querido marido gosta de marcar as férias em cima da hora e nem sempre é fácil encontrar as férias ideais - diga-se local/preço e por isso tivemos de fazer mais de 1000 kms de carro!
E quando se fala de carro de que mais se falará na nossa família??? de más disposições durante a marcha, claro está! De criancinha até agora melhorei imenso pois sofria muito, bastava uma curva e já me custava continuar. E como se herdam principalmente as coisinhas dispensáveis, as minhas crias o que herdaram??? as enjoadelas, pois claro!
Atentos ao que nos esperava decidimos partir após o jantar já que os miúdos adormeciam e com sorte acordavam apenas no destino. Carro carregado, miúdos alimentados e presos nas cadeiras, sacolas com lanches, não vão eles acordar com fome ou sede, e lá vamos. Toda a noite foi de viagem, cansativa, eu ainda dormitei (apesar do meu marido insistir em dizer que dormi... enfim) e muita sorte tivemos pois os miúdos acordaram quase no destino.
Estas férias começaram com um marido irreconhecível. Ficou com febre, cansado, abatido, mas coitado ía a todo o lado, senão ouvia filhos e maezinha. Esteve tão mal que quando cá chegou teve direito a estadia no hospital sem saberem o que seria e a pensarem o pior. Mas afinal o forte cá da casa provavelmente terá sido tocado por um virus transmitido pela cria mais nova, de 15 meses (ainda me estou a rir)!
No último dia o quarto do hotel tem de ser deixado cedo, o que implica de nossa parte a viagem durante o dia. Lá estavamos confinados a uma viagem num carro sem ar condicionado, em pleno mês de Agosto, com cerca de 400 kms de costa espanhola, seguida de entrada pelo Algarve, travessia do Alentejo mesmo a meio da tarde e sempre a subir.
O que se passou nesta viagem foi um autêntico filme de terror. O pai, coitado, com febre, fraco, dores de cabeça fortes. O miúdo porque ao fim de 30 km já estava muito enjoado, a miúda que só ainda balbucinava dava gritinhos e mais gritinhos, porque tinha sede ou calor ou lá o que seria. A mãe completamente stressada e sempre a dizer, ou melhor, a berrar, para se calarem. Claro que o calor só ajudava os disparates dos miúdos. Abre janela, um barulho ensurdecedor, fecha janela um calor doido, e vira o disco e toca o mesmo. Masca uma pastilha para desenjoar, lá implorava eu. Bebe água, continuava. Come uma bolachinha. Pai queres um be-nu-ron? E as músicas que cantávamos?? indescritiveissss! pareciamos dois loucos a cantar para 2 miniaturas que nos venciam kilómetro após kilómetro.
Depois desta viagem juramos a pés juntos que nunca mais viagens assim e que o avião era o ideal.
Dezembro de 2006 resolvemos ir, juntamente com mais 2 casais amigos, a Paris, aproveitando um fim de semana prolongado. Bilhetes comprados numa low cost, hotel marcado e aí fomos nós.
Tudo muito lindo, todos muito contentes e sorrisinhos para aqui e para ali, a apontarmos para os aviões estacionados na pista e qual será o nosso? e se for aquele? que bom que vai ser, e olha aquele a levantar, olha vês que giro! O tempo vai passando e somos chamados para embarcar. Cuidado com os miúdos, levem as mochilas, os casacos? está tudo?? pronto, aí vamos nós. Os sorrisos continuavam, os miúdos graúdos contentes, as mais pequenas um pouco desconfiadas e então a minha ainda mais. Sacos e mochilas acondicionados nos compartimentos devidos, casacos despidos e agora toca a colocar o cinto. Eis quando o meu rosto, até aí também ele a mostrar sorrisinhos, se começa a modificar lentamente acabando num daqueles que nem se sabe o que mostra.... se nervos, raiva, tristeza... mas não. Ele mostrava mesmo era desespero. A miúda implicou que não queria o cinto de segurança. E nada a fazer. Não quero, afirmava ela com uma das características que a vincam demais. A miúda é uma querida, às vezes claro, mas determinada e decidida sempre. Portanto eu estava feita. A minha cabeça já andava à roda, o pai nada fazia, o mais velho tadinho, ainda nos primeiros minutos tentava mostrar as maravilhas de um cinto, preto e gasto, mas a miúda além de manter a dela deu-lhe para gritar! Vergonha, desespero, raiva.... eu já bufava, as minhas amigas tentavam também elas encontrar beleza ou uma historieta qualquer no dito cinto e nada.
A hospedeira, corrigindo, assistente de bordo, chegando perto de nós e com aquele sorriso rasgado, com toda a certeza, obrigado pelo uniforme que ostenta, pede num frances aportuguesado, reparem, eu disse pede, à miúda para colocar o cinto! Pediu aí umas 3 vezes e desistiu. Quem vem a seguir? o comissário de bordo. Todo catita, com o sorriso nº2158, próprio para miúdos ranhosos que não querem colocar o cinto e diz que ela tem de coloca-lo porque o avião assim não pode levantar. E até exemplifica, sempre de sorriso, como se faz. A miúda desata aos berros. A mim só me ocorria tentar abrir a janelinha e pirar-me dali com a miúda e depois deixá-la sózinha, tais eram os meus nervos. Depois queria o pai, depois já queria a mãe, mas depois via dos meus olhos saírem faíscas e queria novamente o pai. Acabou ao meu lado, de cinto posto à força e foi a viagem praticamente toda a soluçar.
Páscoa deste ano, o pai da casa quer conhecer os Açores. Escolhidas 3 ilhas e lá vamos nós. A viagem aérea correu bem, graças a bonecos, livros e psp e nintendo. Vá lá. Alugamos carro e percorremos os locais. Tudo muito verde, muitos campos, muito oceano, e vacas que não acabam mais. Portanto para entreter os miúdos era leva-los aos muitos parques infantis e vê-los felizes, ou po-los a ver vaquinhas! Ah e uma vez levamo-los a ver sair fumo de debaixo da terra.
Do Faial, ilha que gostei bastante, deparamo-nos com o Pico, bastante perto e com ligação diária, via marítima. O pai, entusiasmado, lá decide comprar os bilhetes para a travessia. Eu sem entusiasmo algum já pensando que um barco oscila. Mal entramos fiquei com a certeza que aquilo ia enjoar os miúdos e aqui a mãe. O barco, de porte médio, vinha munido de saquinhos plásticos, que eu avistei logo e tratei de pegar em 2 ou 3. Começa a viagem que demora cerca de 20 a 30 minutos e se no início é muito engraçado olhar pelas janelas redondas, depressa deixa de o ser. Ver a oscilação e o mar sempre a subir e descer é do pior que pode haver. A cria pequena começa com dores de barriga e começo a esfregar-lhe a dita em movimentos circulares. Começa a choramingar que quer o pai. Já no colo do pai, 2 bancos à frente do meu, começo a fazer gestos ao pai para a ir despindo, não vá a rapariga vomitar a linda roupa e andarmos o dia inteiro com uma miúda mal cheirosa. Tirados casaco e camisola e ela cada vez pior, tentando controlar o enjoo que já a mim e ao mais velho começava a incomodar também. Chegamos e nada de vomitado. Nada mau. O regresso correu melhor, o miúdo entreteve-se com desenhos animados e a miúda adormeceu, graças às minhas preces e também às minhas continuadas festinhas nos olhos da rapariga que a obrigavam a cerrar-los até cair no sono. Eu nem enjoei de tão feliz que estava pelo interesse dele e o sono dela.
Este Verão, mais uma vez Sul de Espanha, mais perto, mas muitos kilómetros para eles, claro. Deitaram-se tarde e acordamo-los muito cedo pois assim adormeceriam na viagem. Aconteceu isso, mas não no percurso todo. Sempre a perguntarem quanto tempo falta, e quanto demoraria ainda. E nunca mais e já não aguento. Mas lá se passou e sobrevivemos bastante bem. Verdade.
Regresso, a meio da manhã, e lá começa a cantilena do costume. São os não posso mais, são os enjoos, são os gritos constantes de um e outro que se pegam como cão e gato, é o balão gigante que ela insistiu em trazer e que raspa na perna dele e ele não gosta e começa aos berros, são os olhares de gozo dele que a incomodam a ela, são os calores que os miúdos trazem sempre com eles e pedem mais pauzinhos de ar condicionado, que eu após 1 minuto vou apagando, e que eles reparam de seguida e lá vem a história do calor que não se aguenta. É ouvir um arranque da miúda e vê-la vomitada. Parar, trocar camisola, limpar braços, limpar cadeira. São as nossas vozes baixas que vão ganhando volume contrariamente à nossa paciência. É o desespero que nos consome. É o desejo de vermos a nossa rua. A alegria de vermos o portão a abrir. A felicidade de ouvir o motor do carro silenciar.
Venham mais férias. Que agora só nos falta o comboio.
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Mais aventuras no País Irmão

Já que os amigos pedem, cá vai mais um episódio digno de registo das férias brasileiras.
Ficamos as duas semanas no mesmo hotel. Era um bom hotel, sem luxos mas simpático, com boa alimentação e era o único que ficava na zona histórica. Além disso tinha uma vista fantástica. Como desvantagem ficava um pouco longe das praias que gostamos e ainda andavamos um bom pedaço para, religiosamente todas as noites, estarmos a tomar caipirinhas na Passarela do Alcool, uma avenida que abre as portas ao fim do dia e fica noite dentro a receber os turistas. São os bares com as caipirinhas e as capetas, os restaurantes, os vendedores, as lojas de souvenires,e gentes de um lado para outro sempre embalada pela música brasileira que não deixa de se ouvir.
Contornamos bem a questão das praias pois decidimos pelos programas com os guias o que tornou estas 2 semanas excelentes pois não só faziamos todos os dias praia, como visitavamos sítios históricos e locais lindos.
Então nós com o filhote e mais os 2 casais andavamos sempre juntos nestas aventuras.
As praias grandes, permitiam-nos escolher o local sem o bulício daqui, as pessoas não estão umas em cima das outras e o mar chamava-nos sempre com temperaturas amenas. Assim que chegavamos à praia e nos instalávamos nas espreguiçadeiras protegidas por sombrinhas de palha, apareciam a pouco e pouco os vendedores. Se aqui em Portugal fugimos deles, lá isso não acontecia. Simpáticos e afáveis, mostravam o que tinham para vender, explicavam como produziam as peças, e se dissessemos que não tinhamos interesse na sua compra, continuam sorridentes e a conversa não acabava abruptamente.
Apareciam vendedores de tudo o que se possa imaginar, eram as trancinhas no cabelo e as terérés, os bikinis, os vestidos de praia e as t-shirts, as bugigangas lindas feitas com côco, peças trabalhadas com folhas de coqueiro e palmeira, as tatuagens temporárias, os passeios a cavalo junto ao mar e claro, a comida. As empadas, o camarão frito, e o cajú.
Nos primeiros dias de praia reparamos no entusiasmo da M. sempre que via o vendedor de cajú. E achavamos graça a todos os dias chamá-lo e comprar sempre 2 ou 3 medidas (um copo pequeno) deste aperitivo. Mas mais piada achamos quando ela nos dizia que estava a comprar para levar pois aqui no Brasil é muito mais barato e o filho dela adora.
Pois bem, história contada e todos os dias avisada pelo meu filho assim que na praia vislumbrasse o vendedor.
Num belo dia e já instalados na praia de papo para o ar, onde eles já comentavam que mais uma vez podíamos almoçar no restaurante da praia, onde serviam um belo rodízio de carne, e pagavamos com tudo incluído 5 euros, eis que se avista, mais uma vez, o homem do cajú. Desta vez era um rapaz loiro, entroncado, de calçoes e tshirt cavada que trazia ao ombro o saco plástico de 10 kilos onde saltava à vista a iguaria salgada.
Mais uma vez a M. de enorme sorriso e de porta moedas na mão acenava ao homem e ele já na nossa direcção acelerava o passo. Quando a M. está a pedir as doses habituais, eis que algum de nós, já nem me lembra quem, pergunta por quanto ele venderia o saco. Risada geral. Mas depois já todos estavamos interessados em saber o valor. O rapaz ainda atordoado nem sabia dizer o preço. Ao fim de alguns minutos e contas feitas lá atirou o valor. Acordamos assim comprar o saco de 10 kilos!!!
Ao fim do dia o rapaz, de banho tomado e todo aperaltado, chegou à recepção do hotel perante o olhar estupefacto de quem lá estava, pedindo depois para ligar ao quarto x pois iria entregar cajú! Transacção efectuada e lá estavam o J. e a M. a dividir o saco em 3.
O rapaz disse que ao vender aquele saco fez o trabalho de uma semana e como eles próprios referem o baiano não gosta de trabalhar. O baiano trabalha um dia e descansa dois.... por isso imagimem o contentamento do rapaz!
Durante dias sempre que avistavamos um vendedor de caju era risota na certa. Aliás, ainda hoje nos rimos com a situação.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Muito stress no avião
Uns anos atrás e ainda sem férias decididas, arriscamos uma promoção de última hora - pague 1 fique 2 semanas! Confesso que até àquela altura o Brasil era um destino muito pouco apelativo para mim, talvez pelo facto de a praia não me seduzir muito, de ouvir falar tanto nos problemas sociais do país e de as infra estruturas não serem das melhores.
Mas o preço era bom, já tinhamos um filho que precisava, com moderação claro, de uma dose vitamina D para crescer com ossos fortes, e assim arriscamos a tentar juntar o lazer, o descanso e a praia.
Tudo acertado e caio na real.... eu devia estar louca por concordar com uma viagem de 10 horas de voo! Eu que detesto viajar de avião. Eu que levo um miúdo de 3 anos que anda sempre aos saltos e sem botão off....Bem agora nada a fazer, a viagem já foi paga e há que rezar a todos os santinhos, para que tudo corra pelo melhor.
No aeroporto da Portela conhecemos (eu, porque o meu marido já conhecia minimanente) o 1º casal que viria a ser companheiro de aventuras.
O avião ia, claro, lotado, mas durante as primeiras 3 horas o meu rico filho poderia ser rotulado de menino-anjinho. Munida de livros de pintar, de lápis, de folhas para desenhos e de livros de histórias consegui controla-lo bem. Eis quando um miúdo loirinho, gorducho de uns 9 anos, sentado na cadeira da frente se lembra de, com um enorme e assustadiço sorriso, perguntar ao meu filho se ele nao quereria brincar!
Só vos digo que o horror tinha começado. O miúdo grande não se calava, o miúdo grande pulava, pedia sumos a toda a hora, falava alto e claro desencaminhou o meu rebento de 3 anos a fazer tudo isto.
Só ouvia o meu filho a pedir às hospedeiras guaraná, bebida que até aquele dia nunca provara, saltitavam de um corredor para outro numa fracção de segundos, percorriam o avião todo, esbarravam nas pessoas, entravam vezes sem fim na casa de banho, e eu sempre a ver quando lá ficaria trancado. Eu bem o chamava, ameaçava, atirava beijos e sorrisinhos, mostrava os livros e os lápis, mas qual quê... ele só queria o gorducho que tinha um nome italiano e não sei a que propósito mas o meu filho jurava que ele se chamava Gil Vicente. E assim ficou baptizado as férias todas.
As conversas entre eles, ainda no avião, levavam-me ao desespero; apesar de terem conseguido fazer-me esquecer que sobrevoavamos o Atlântico e preocupar-me antes em domar o pestinha, eram do outro mundo. Depois de umas duas horas de asneiras atrás de asneiras o Gil Vicente dá numa de inquiridor, sendo o meu filho o inquirido. Ouviam-se perguntas destas: quantas semanas vais de férias? e o meu filho respondia - não sei! vou perguntar à minha mãe...e toca de correr a questionar-me.... lá lhe disse 2 e diz o gorducho ah eu fico uma. Ai que alegria quando ouvi isto! Quase dáva pulinhos na cadeira! segue-se a 2ª pergunta - para que local da bahia vais? sais na 1ª paragem do avião ou na 2ª? e repete-se o cenário com o meu filho sempre a correr até mim....digo-lhe que na 1ª e ouço o miúdo: eu também! aqui só pensava que seria muito azar ficarmos no mesmo hotel! segue-se a 3ª pergunta - e em que hotel ficas? lá vem o meu filho perguntar-me, sem se aperceber que os meus olhos já quase fumegavam, lá respondi e ouço o puto ah que bom...vamos estar no mesmo hotel!!!! aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ía tendo uma síncope quando ouvi isto seguido de ainda: olha afinal também fico 2 semanas!!!!! que bommmmmmmmmmmm que vai ser...
Nesta altura e já de rastos, não sabia se me havia de rir, de chorar, de tentar abrir a portinhola e mandar o miúdo grande de volta ou pedir para o enfiarem no porão. Enfim....
Passaram-se as 10 horas de voo e como a diferença horária era de 4 horas o meu filho estava exauto e valeu-nos a sua terna idade para passarmos à frente da maioria dos passageiros.
Quando achava que estava tudo a recompor-se, a minha mala não aparece. Respiro fundo. Volta a inspirar e nada.... eles coitados tão simpáticos não dão ordem ao avião para levantar e vai um funcionário ao porão procurar a minha bagagem. Mas vem de lá de mãos a abanar e eu quase expludo. Que nervos! Lá vejo o avião levantar. Quando perguntamos o que procurou o funcionário respondeu que por destino e não pelo meu nome!!!! claro que a mala estava lá e chegou-se a essa conclusão rapidamente. Enganaram-se foi a colocar o destino. Mas deram garantia que no dia seguinte, pelo final do dia, a mala seria entregue no hotel.
Chegados ao hotel e com o meu filho já a dormir, deitei-me também, sem esquecer claro a mala, e sempre com o gorducho no pensamento,enquanto o meu marido iria conhecer os guias que nos acompanharíamos nos passeios que venderiam, caso gostassemos.
No dia a seguir andamos a dar um passeio com os fantásticos guias e com o 1º casal que sempre nos acompanhou nas férias.
No final do dia aguardo na recepção do hotel a minha mala que prometeram entregar. Enquanto não chega, conheço outro casal, que viria a ser o 2º casal com quem passaríamos excelentes momentos e que também eles aguardavam a mala deles perdida.
Chegou o taxi e vejo a minha malinha. Ai que felicidade. As minhas coisas, os meus cremes, as minhas roupas. Quanto ao outro casal ainda penou mais 2 dias sem mala!
Nos próximos posts contarei mais sobre estas fantásticas e hilariantes férias.
Mas o preço era bom, já tinhamos um filho que precisava, com moderação claro, de uma dose vitamina D para crescer com ossos fortes, e assim arriscamos a tentar juntar o lazer, o descanso e a praia.
Tudo acertado e caio na real.... eu devia estar louca por concordar com uma viagem de 10 horas de voo! Eu que detesto viajar de avião. Eu que levo um miúdo de 3 anos que anda sempre aos saltos e sem botão off....Bem agora nada a fazer, a viagem já foi paga e há que rezar a todos os santinhos, para que tudo corra pelo melhor.
No aeroporto da Portela conhecemos (eu, porque o meu marido já conhecia minimanente) o 1º casal que viria a ser companheiro de aventuras.
O avião ia, claro, lotado, mas durante as primeiras 3 horas o meu rico filho poderia ser rotulado de menino-anjinho. Munida de livros de pintar, de lápis, de folhas para desenhos e de livros de histórias consegui controla-lo bem. Eis quando um miúdo loirinho, gorducho de uns 9 anos, sentado na cadeira da frente se lembra de, com um enorme e assustadiço sorriso, perguntar ao meu filho se ele nao quereria brincar!
Só vos digo que o horror tinha começado. O miúdo grande não se calava, o miúdo grande pulava, pedia sumos a toda a hora, falava alto e claro desencaminhou o meu rebento de 3 anos a fazer tudo isto.
Só ouvia o meu filho a pedir às hospedeiras guaraná, bebida que até aquele dia nunca provara, saltitavam de um corredor para outro numa fracção de segundos, percorriam o avião todo, esbarravam nas pessoas, entravam vezes sem fim na casa de banho, e eu sempre a ver quando lá ficaria trancado. Eu bem o chamava, ameaçava, atirava beijos e sorrisinhos, mostrava os livros e os lápis, mas qual quê... ele só queria o gorducho que tinha um nome italiano e não sei a que propósito mas o meu filho jurava que ele se chamava Gil Vicente. E assim ficou baptizado as férias todas.
As conversas entre eles, ainda no avião, levavam-me ao desespero; apesar de terem conseguido fazer-me esquecer que sobrevoavamos o Atlântico e preocupar-me antes em domar o pestinha, eram do outro mundo. Depois de umas duas horas de asneiras atrás de asneiras o Gil Vicente dá numa de inquiridor, sendo o meu filho o inquirido. Ouviam-se perguntas destas: quantas semanas vais de férias? e o meu filho respondia - não sei! vou perguntar à minha mãe...e toca de correr a questionar-me.... lá lhe disse 2 e diz o gorducho ah eu fico uma. Ai que alegria quando ouvi isto! Quase dáva pulinhos na cadeira! segue-se a 2ª pergunta - para que local da bahia vais? sais na 1ª paragem do avião ou na 2ª? e repete-se o cenário com o meu filho sempre a correr até mim....digo-lhe que na 1ª e ouço o miúdo: eu também! aqui só pensava que seria muito azar ficarmos no mesmo hotel! segue-se a 3ª pergunta - e em que hotel ficas? lá vem o meu filho perguntar-me, sem se aperceber que os meus olhos já quase fumegavam, lá respondi e ouço o puto ah que bom...vamos estar no mesmo hotel!!!! aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ía tendo uma síncope quando ouvi isto seguido de ainda: olha afinal também fico 2 semanas!!!!! que bommmmmmmmmmmm que vai ser...
Nesta altura e já de rastos, não sabia se me havia de rir, de chorar, de tentar abrir a portinhola e mandar o miúdo grande de volta ou pedir para o enfiarem no porão. Enfim....
Passaram-se as 10 horas de voo e como a diferença horária era de 4 horas o meu filho estava exauto e valeu-nos a sua terna idade para passarmos à frente da maioria dos passageiros.
Quando achava que estava tudo a recompor-se, a minha mala não aparece. Respiro fundo. Volta a inspirar e nada.... eles coitados tão simpáticos não dão ordem ao avião para levantar e vai um funcionário ao porão procurar a minha bagagem. Mas vem de lá de mãos a abanar e eu quase expludo. Que nervos! Lá vejo o avião levantar. Quando perguntamos o que procurou o funcionário respondeu que por destino e não pelo meu nome!!!! claro que a mala estava lá e chegou-se a essa conclusão rapidamente. Enganaram-se foi a colocar o destino. Mas deram garantia que no dia seguinte, pelo final do dia, a mala seria entregue no hotel.
Chegados ao hotel e com o meu filho já a dormir, deitei-me também, sem esquecer claro a mala, e sempre com o gorducho no pensamento,enquanto o meu marido iria conhecer os guias que nos acompanharíamos nos passeios que venderiam, caso gostassemos.
No dia a seguir andamos a dar um passeio com os fantásticos guias e com o 1º casal que sempre nos acompanhou nas férias.
No final do dia aguardo na recepção do hotel a minha mala que prometeram entregar. Enquanto não chega, conheço outro casal, que viria a ser o 2º casal com quem passaríamos excelentes momentos e que também eles aguardavam a mala deles perdida.
Chegou o taxi e vejo a minha malinha. Ai que felicidade. As minhas coisas, os meus cremes, as minhas roupas. Quanto ao outro casal ainda penou mais 2 dias sem mala!
Nos próximos posts contarei mais sobre estas fantásticas e hilariantes férias.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
As Férias
Mais um ano lectivo prestes a findar e já cheira a férias.
As férias são boas. O relógio fica encostado. As refeições deixam de ser obrigatórias às horas de sempre. Descansamos, relaxamos, brincamos com os miúdos, lemos muitos livros e convivemos com os amigos da maneira mais despreocupada.
Também é verdade que às férias com filhos deviam seguir-se as férias sem filhos. Os miúdos cansam e muito. Querem festa a toda a hora. São os banhos de mar onde ano após ano, não sei se pelos anos começarem a pesar, se por fenómenos naturais, a água enrregelada, torna a vigilância numa tarefa herculeana. São os jogos de bola que nos obrigam a largar a sombrinha e o conforto do sofá e sob um sol intenso andar a correr a tentar acertar na dita. São os apetites repentinos de gelados, sumos e bolachas que eles pedincham a toda a hora. São as brigas porque, como por magia, todos querem o mesmo jogo ou porque há sempre mais do que um que não sabe perder.
Claro que estes epiosódios diários, mesmo nas férias endoidecem-me e não me tiram o cansaço acumulado de um ano, mas é de sorriso que anseio o começo das minhas férias.
Há já algum tempo que descobrimos uma forma mais agradável e menos stressante de passar estes períodos que louvamos e principalmente deixar os miúdos imensamente felizes: passar as férias, ou parte delas com os amigos. Amigos, também eles com descendência. Ma-ra-vi-lha! Agora sim, começamos a bater recordes de permanência no dolce fare niente.
Os laços com estes amigos tornam-se ano após ano mais fortes e as crianças vão conhecendo verdadeiramente a amizade. Ganham amigos que só nestas ocasiões reencontram, fortalecem as ligações com os outros e partilha-se tudo. A casa, as refeições, as conversas, as brincadeiras e os passeios. Na hora, sempre tardia, de irem dormir nunca há vontade e querem antes, elaborar planos para o dia que aí vem.
Para nós adultos, há também que definir o novo dia que parece estar já a romper e para eles, pais, não podem faltar as visitas às capelinhas que os guias gastronómicos recomendam. Há que experimentar o peixe grelhado daqui, a caldeirada dacolá, sem esquecer, pedimos nós mães, o choco frito que devoramos.
Os dias vão passando, todos diferentes, mas todos eles recheados de risos, de brincadeiras, de disponibilidades e de cumplicidade.
As férias são muito boas. Os amigos ainda mais.
As férias são boas. O relógio fica encostado. As refeições deixam de ser obrigatórias às horas de sempre. Descansamos, relaxamos, brincamos com os miúdos, lemos muitos livros e convivemos com os amigos da maneira mais despreocupada.
Também é verdade que às férias com filhos deviam seguir-se as férias sem filhos. Os miúdos cansam e muito. Querem festa a toda a hora. São os banhos de mar onde ano após ano, não sei se pelos anos começarem a pesar, se por fenómenos naturais, a água enrregelada, torna a vigilância numa tarefa herculeana. São os jogos de bola que nos obrigam a largar a sombrinha e o conforto do sofá e sob um sol intenso andar a correr a tentar acertar na dita. São os apetites repentinos de gelados, sumos e bolachas que eles pedincham a toda a hora. São as brigas porque, como por magia, todos querem o mesmo jogo ou porque há sempre mais do que um que não sabe perder.
Claro que estes epiosódios diários, mesmo nas férias endoidecem-me e não me tiram o cansaço acumulado de um ano, mas é de sorriso que anseio o começo das minhas férias.
Há já algum tempo que descobrimos uma forma mais agradável e menos stressante de passar estes períodos que louvamos e principalmente deixar os miúdos imensamente felizes: passar as férias, ou parte delas com os amigos. Amigos, também eles com descendência. Ma-ra-vi-lha! Agora sim, começamos a bater recordes de permanência no dolce fare niente.
Os laços com estes amigos tornam-se ano após ano mais fortes e as crianças vão conhecendo verdadeiramente a amizade. Ganham amigos que só nestas ocasiões reencontram, fortalecem as ligações com os outros e partilha-se tudo. A casa, as refeições, as conversas, as brincadeiras e os passeios. Na hora, sempre tardia, de irem dormir nunca há vontade e querem antes, elaborar planos para o dia que aí vem.
Para nós adultos, há também que definir o novo dia que parece estar já a romper e para eles, pais, não podem faltar as visitas às capelinhas que os guias gastronómicos recomendam. Há que experimentar o peixe grelhado daqui, a caldeirada dacolá, sem esquecer, pedimos nós mães, o choco frito que devoramos.
Os dias vão passando, todos diferentes, mas todos eles recheados de risos, de brincadeiras, de disponibilidades e de cumplicidade.
As férias são muito boas. Os amigos ainda mais.
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